" Coloquei o celular no modo avião, na vontade de sumir. Sumir da vida que eu tenho levado, deixar pra trás as bagagens da decepção, deixar pra trás as pessoas que dizem me amar. Fiquei o dia inteiro me sentindo como um copo descartável, pensando que as pessoas só me utilizam quando sentem sede. Sede de desabafar, de rir, de compartilhar seus objetivos alcançados. E depois me lançam no lixo. Reparei que as pessoas sempre estão cinquenta e sete passos na minha frente quando se trata de alcançar metas. Eu sempre estou pra trás. No fundo do abismo. Eu sempre estou pra trás, apenas aplaudindo as pessoas e ninguém nunca torce por mim. Eu não tenho conquistas para serem aplaudidas. Notei que as pessoas voltam pra me reutilizar, porque sentiram sede. Então retorna a sede de conversar, desabafar, rir, compartilhar, chorar porque brigou com os pais, porque a vó está mal, chorar porque não tem namorado e vão embora. E eu fico aqui. Sempre aqui. Constantemente aqui. Depois de passar o dia inteiro fora de qualquer tipo de comunicação, ainda me restou uma esperança de que alguém se importa. Tirei o celular do modo avião, esperando que chegasse ao menos uma mensagem: “Você está bem?”, “Você sumiu o dia todo, o que foi?”. Mas não, não tinha. Nunca tem. Ninguém nunca vem. "